Quando repórteres são atacados no ofício de cobrir eventos importantes do nosso cotidiano pouca gente se dá conta do que isso representa. A violência contra jornalistas tem sido um aspecto revelador das consequências provocadas pela negação dos métodos que nos ajudam a compreender nosso tempo. De acordo com a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), nos últimos seis anos foram registrados 215 ataques a repórteres em manifestações, especialmente políticas, provocando a morte de pelo menos dez deles.

Na mesma linha, a Organização Não Governamental ARTIGO 19 divulgou em 15 de setembro, Dia Internacional da Democracia, que o Governo Federal, incluindo o presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e alguns de seus ministros são responsáveis por 449 violações a jornalistas. Os ataques sistemáticos criam um cenário de “deterioração da liberdade de imprensa no país”, a partir de “declarações estigmatizantes”, acusações genéricas e polarização no uso do cargo político, especialmente quando as apurações jornalísticas envolvem denúncias contra membros do governo.

Em julho, a Federação Nacional dos Jornalistas já havia relacionado os ataques do presidente da República a jornalistas no primeiro semestre deste ano. Segundo a Fenaj, os ataques fazem parte de uma orquestração para tirar a credibilidade da imprensa diante das constantes denúncias de irregularidade na condução política do país. Coberturas que não agradam ao presidente são usadas como argumento para colocar a imprensa como “inimiga do país”. De janeiro a junho a Fenaj levantou 245 ataques ao jornalismo: 211 com o intuito de desacreditar a imprensa, 32 ataques pessoais a jornalistas e dois ataques contra a própria Fenaj.

Para proteger os jornalistas e oferecer subsídios no caso de assédio digital, a a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em parceria com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), lançou a “Cartilha sobre medidas legais para a proteção de jornalistas contra ameaças e assédio online”. Para as duas entidades, o assédio a jornalistas afeta diretamente a liberdade de imprensa. Por isso, os profissionais de imprensa precisam reconhecer as características dos abusos virtuais e saber o que fazer no caso de serem vítimas.

Campanhas de difamação contra o Jornalismo somam-se a estratégias comerciais das empresas de mídia social e ganham força no contexto de desinformação em que nos encontramos.

Sophie Zhang é cientista de dados e ex-funcionária do Facebook. Em um memorando interno para colegas da empresa, ela fez sérias denúncias sobre a manipulação política promovida pela plataforma de redes sociais, que inclui campanhas de desinformação a partir de contas falsas e informações sem quaisquer relações com a realidade. “Tenho sangue nas mãos”, disse ela, numa alusão a conflitos sociais decorrentes de campanhas produzidas por algoritmos e que poderiam ter sido barradas pelo Facebook.

O tema é explorado no documentário, disponível no Netflix, “O dilema das redes”. Criticado pelos clichês e pelo excesso de valorização dos depoimentos dados por homens que participaram dos projetos que os deixaram ricos, o filme dirigido Jeff Orlowski traz ao debate um dilema cuja importância compensa os problemas estéticos e conceituais da peça. Ele nos mostra que a base do modelo de negócios das plataformas é a manipulação de usuários e a economia da atenção usada para movimentar os investimentos que sustentam as empresas.

Última atualização feita há 2 anos por luciano.bitencourt. As atualizações referem-se a pequenas correções que vão de erros de grafia a alterações pontuais na estrutura de frases para facilitar a leitura. Não são “erratas”. Estas, quando acontecem, são explicitamente indicadas no conteúdo.

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