Formas de censura e descredibilização da imprensa são quase dois terços dos casos de violência contra jornalistas e contra a liberdade de imprensa no Brasil, de acordo com a Federação Nacional dos Jornalistas. Foram 271 casos dos 430 registrados pela entidade em 2021.

Nos dois anos anteriores, formas de descredibilizar a imprensa lideravam o volume de casos de violência. Neste ano, entretanto, as censuras aparecem, pela primeira vez, como a mais recorrente agressão ao trabalho da imprensa.

Lançado nesta quinta (27/01), o Relatório da Violência contra Jornalistas 2021, evidencia o aumento contínuo de cerceamentos e intimidações aos profissionais da área e lança preocupações para o trabalho da imprensa em ano de eleição, minado por polarizações políticas.

Para se ter uma ideia, só o presidente Jair Bolsonaro, eventual candidato à reeleição, protagonizou um terço dos casos de agressão (147), entre xingamentos e declarações para descredibilizar a imprensa.

Os números são resultado do monitoramento realizado pela FENAJ em relação às denúncias feitas por jornalistas e manifestações em canais próprios dos agressores.

A Empresa Brasileira de Comunicações, instituição de caráter público e vinculada ao Governo Federal, responde por um terço dos casos quando comparados a todas as mídias onde jornalistas agredidos trabalham.

Com a gestão centralizada em Brasília e fortemente vinculada ao Palácio do Planalto, os dirigentes da EBC somados a políticos, seus assessores e ao presidente da República, em particular, representam mais de 70% dos agressores identificados no lavantamento.

Em síntese, o trabalho da FENAJ, realizado desde 1998, confere ao Brasil de hoje uma imagem corroborada por outras instituições ligadas ao trabalho jornalístico e aos direitos humanos: um país no qual o aumento da violência está diretamente ligado à perda de critérios democráticos no debate público.

Última atualização feita há 5 dias por luciano.bitencourt. As atualizações referem-se a pequenas correções que vão de erros de grafia a alterações pontuais na estrutura de frases para facilitar a leitura. Não são “erratas”. Estas, quando acontecem, são explicitamente indicadas no conteúdo.

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