Lula e Alckmin juntos como adversários de Jair Bolsonaro
Peça da Frente Ampla pela Democracia circula pelas mídias sociais

Lula e Alckmin na mesma chapa à presidência da República sinalizam uma articulação política ampla contra a autocracia indigesta do governo Bolsonaro. Tanto quanto a ideia de que o sistema está se organizando para inviabilizar o “mito”, numa cruzada de poderosos contra um “justiceiro solitário”. Muita calma nessa hora porque tudo depende de que lado se lê o cenário.

Quem ainda não ouviu, uma dica. A série da Revista Piauí “Retrato Narrado”, produzida pela Rádio Novelo, oferece pistas muito sólidas de que não bastam arranjos com adversários históricos para derrotar a nova direita do Brasil, sintetizada na figura caricata do atual presidente.

A jornada de Jair Bolsonaro na política tem origem nos eventos que o expulsaram do Exército. Ele acredita mesmo ser um mártir, perseguido pelo sistema político do qual se alimenta há três décadas como um missionário, cujo objetivo é destruir o que não condiz com o que pensa. Esse é o projeto, como se pôde ver ao longo de sua “carreira”.

Sustentado nas estratégias de transformar suas crenças em verdade, desacreditar instituições, aniquilar adversários, deturpar argumentos com falsas polêmicas, usar a agressividade como ferramenta de intimidação – a lista é longa, Bolsonaro se fortalece em uma camada da população submersa no obscurantismo político e na agonia econômica de uma década.

Por ter sido subestimado, aproveitou o vácuo deixado pela impossibilidade de Lula ter sido o adversário em 2018. Mas, é bom lembrar, nenhuma outra “personalidade” política mostrou a mesma eficácia. Na guerra contra o antipetismo – a guerra santa contra comunistas, satanistas, feministas, ateus e mais um monte de outros inimigos inventados – Bolsonaro soube usar o ódio a seu favor. E o universo digital é propício para uma segunda onda de raiva em larga escala.

As mentiras que Bolsonaro conta estão longe de ser o devaneio de um louco. São narrativas muito bem orquestradas para pôr em dúvida todas as mínimas certezas que o consenso pôde construir. Não há Ciência, nem Jornalismo, nem fatos, nem evidências, nem qualquer possibilidade de mediação, só as crenças dele e seu grupo de seguidores.

Baseado no “olavismo”, o bolsonarismo subverteu o sentido gramsciniano de resistência contra a hegemonia cultural, pondo o marxismo na trincheira ideológica de uma guerra que Bolsonaro adora cultuar. Em trincheiras não há debates, atira-se para qualquer lado em que se perceba um movimento inimigo.

Lula e Alkmin não vão fazer sumir, como que por encanto, a nova direita que apoia Bolsonaro. Para o analista do JOTA, Daniel Marcelino, a polarização entre petismo e bolsonarismo é, justamente, o que alimenta as chances de o atual presidente se reeleger. Fatores de rejeição, nesse caso, também funcionam para fazer pender a balança.

As alianças de Lula não discriminam as forças que estiveram contra Dilma Rousseff no episódio do impeachment, em 2016. E talvez o momento peça isso. Mas o momento pede, também, discernimento quanto à forma de lidar com o adversário a ser derrotado: o Bolsonaro de hoje é “outro animal”, para usar a expressão do ministro Paulo Guedes.

Última atualização feita há 7 meses por luciano.bitencourt. As atualizações referem-se a pequenas correções que vão de erros de grafia a alterações pontuais na estrutura de frases para facilitar a leitura. Não são “erratas”. Estas, quando acontecem, são explicitamente indicadas no conteúdo.

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