Recebi ontem pelo whatsapp um vídeo no qual um apoiador do Brochorinho (vamos usar um termo carionhoso a partir de agora p’ra não dar destaque) fala a manifestantes acampados em frente a unidades militares.

Não dá p’ra dizer de quando é (mesmo com a data exposta no vídeo), de onde é, quem está falando e em nome do quê. Mas o discurso faz alusão a uma suposta ação dos militares, que teriam “tomado o poder” e nomeado Brochorinho para mais 90 dias no cargo até que se “resolva a questão”.

Pareceu um gol da Seleção Brasileira. Bandeiras tremulando, gritos eufóricos… Irônico que no mesmo dia da eliminação do time na Copa do Mundo e da consolidação do processo de transição p’ro novo governo com o anúncio dos primeiros nomes em ministérios-chave.

O fim do discurso no vídeo diz muito: a informação ainda precisava ser confirmada e isso seria feito em um pronunciamento do presidente nas horas que se seguiriam, dizia o locutor do metaverso bolsonarista.

Um mimo.

No mesmo dia, Brochorinho rompe o silêncio. O discurso ambíguo, o de sempre, reverberou por todos os meios, em todas as direções e virou comentário de analistas políticos, tema de entrevista com novos ministros… enfim, um circo no qual os palhaços (quero dizer nós) assistem da arquibancada um drama bem rastaquara. De tão dramático, não há outra reação senão a de gragalhar.

Às margens do cercadinho, Brochorinho discursa

É uma estratégia típica da campanha no terceiro turno. Brochorinho, no corredor do supermercado político quer, porque quer, que se compre leite condensado suficiente p’ro futuro que o espera. Estatégia que tem ainda declaração do filho 01 em revista de propaganda política dando conta de que o pai está mais animado, aventa até a possibilidade de entregar a faixa ao “inimigo” e articula um candidato p’ra presidência do senado.

Essa aparente desconexão dos “fatos” é que assusta. O roteiro é feito de fragmentos, em um movimento bem orquestrado. A gente sabe que tem caroço nesse angu. O problema é de qual tamanho e quão indigesto pode ser.

E eis que surge o dilema moral dos dilemas da nossa jornada do herói. Pode-se ignorar o quanto quiser. Mas filho mimado (p’ra usar uma metáfora bem família e cunhada pelo vice de Lula) precisa de castigo de vez em quando. Ou a autoridade institucional da célula mater da sociedade vai p’ro saco. Sacou?

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