luciano.bitencourt

Notícia não é mais encarada como o elo entre conhecimento social e opinião pública. Virou mais um discurso vazio na pulverizada rede digital de crenças ideológicas. Faltam sinalizações na encruzilhada, aquele momento em que os argumentos nos dão um sentido de direção, nos impulsionam em um determinado caminho. Falta o jornalismo no debate público, o que nos aproxima das diferenças sem julgamentos morais.

Lula e Alckmin na mesma chapa à presidência da República sinalizam uma articulação política ampla contra a autocracia indigesta do governo Bolsonaro. Tanto quanto a ideia de que o sistema está se organizando para inviabilizar o “mito”, numa cruzada de poderosos contra um “justiceiro solitário”. O momento pede discernimento quanto à forma de lidar com o adversário a ser derrotado.

Ao abrir consulta pública para “informar e conhecer as dúvidas” das famílias sobre a vacinação contra Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos, o governo brasileiro segue a estratégia de minar as evidências científicas para se evitar a expansão da variante Ômicron. Não há como se ter dúvidas quanto à eficácia das vacinas, a não ser que se desconsidere o volume de investimentos e o esforço em pesquisa sem precedentes na história humana.

Nos revezávamos para fazer a “prensa” funcionar. Nela havia espaço para uma pessoa e uma pilha de jornais. Quando a criançada apertava o “botão mágico”, fazíamos a “prensa” sacodir até “cospir” um exemplar de estreia do jornal. Reinaldo se materializava no meio da criançada, como que alçado das páginas centrais que contavam sua história.

O presidente da República sempre foi tratado pela imprensa como “polêmico”. E não é nada disso. As coisas que ele diz, como se liberdade de expressão e de pensamento fossem a mesma coisa, merecem repúdio. Porque são autoritárias, agressivas, depreciativas para o cargo público de onde fala. É preciso dar a Bolsonaro o espaço que ele merece