ENTREASPAS

Notícia não é mais encarada como o elo entre conhecimento social e opinião pública. Virou mais um discurso vazio na pulverizada rede digital de crenças ideológicas. Faltam sinalizações na encruzilhada, aquele momento em que os argumentos nos dão um sentido de direção, nos impulsionam em um determinado caminho. Falta o jornalismo no debate público, o que nos aproxima das diferenças sem julgamentos morais.

Lula e Alckmin na mesma chapa à presidência da República sinalizam uma articulação política ampla contra a autocracia indigesta do governo Bolsonaro. Tanto quanto a ideia de que o sistema está se organizando para inviabilizar o “mito”, numa cruzada de poderosos contra um “justiceiro solitário”. O momento pede discernimento quanto à forma de lidar com o adversário a ser derrotado.

O presidente da República sempre foi tratado pela imprensa como “polêmico”. E não é nada disso. As coisas que ele diz, como se liberdade de expressão e de pensamento fossem a mesma coisa, merecem repúdio. Porque são autoritárias, agressivas, depreciativas para o cargo público de onde fala. É preciso dar a Bolsonaro o espaço que ele merece

. Afficere – influir sobre algo, fazer algo a alguém -, berço do affectus, faz do carinho, da demonstração de apreço um gesto amplo e coletivo, de incentivo, de estímulo. É no gesto social, mesmo com distanciamento físico, que a Educação se fortalece. A inovação dos processos educativos está no afeto, não na tecnologia que o instrumentaliza.

Cinco partidos abocanharam 57% das prefeituras no país. O dado é significativo, visto que todos estão no espectro chamado centro-direita e ao menos dois deles apoiam declaradamente o atual presidente da República, Jair Bolsonaro. Isso diz muito sobre o cenário político atual, mas diz quase nada sobre as eleições majoritárias em 2022.

Uma ideologia capaz de justificar a disrupção pelas entranhas da gestão, da gerência, da administração, do mercado da Educação parece urgente. Outra economia educacional está nos espaços vazios dos mapas cartográficos que expressam as tecnologias digitais em oferta. Que a Ciência da Educação explore as possibilidades e qualifique os ditames imperiais do “ensino híbrido”.