ENTRETEXTOS

A negligência na distribuição de vacina em regiões mais pobres é apontada como causa para o surgimento de novas variantes de Covid-19. A Ômicron ganhou notoriedade mundial pela preocupação com seus efeitos na pandemia, mas é preciso reconhecer que ela é fruto do descaso político com a imunização igualitária para se evitar novas mutações do coronavírus.

O Brasil não é exemplo na cobertura vacinal contra a Covid-19 e ainda não pode se dar ao luxo de voltar à vida sem o uso de medidas restritivas. Muito já se avançou no tratamento da doença e hoje o grau de conhecimento sobre o vírus justifica decisões que exigem cuidado. Principalmente com crenças sem fundamento e demonstrações de ignorância de líderes políticos e chefes de estado.

Observar certos padrões no comportamento diante da pandemia, neste momento, indica tendência de continuidade na polarização política pela negação da Ciência e dos fatos, além de uma perspectiva de piora no quadro de controle mundial de novos surtos. A desigualdade econômica e o viés político-ideológico ainda determinam o cenário.

Um ponto crucial dos acordos de transferência de tecnologia para a produção de vacinas no Brasil ao longo das últimas quatro décadas é o de que a produção desses acordos é condicionada a compras públicas. Porém o acordo do Sinovac/Butantan não contempla tal arranjo, uma vez que não há acordo prévio com o Ministério da Saúde para inclusão desse produto no catálogo de vacinas do SUS.

A expansão do SUS como resposta à pandemia de coronavírus pode ajudar a reparar algumas falhas históricas do atendimento, mas para isso é preciso reflexão e planejamento. O investimento não deve ser somente em “tecnologia dura” – em expansão de hospitais e grandes compras que trazem grande visibilidade midiática para os gestores.