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A expansão do SUS como resposta à pandemia de coronavírus pode ajudar a reparar algumas falhas históricas do atendimento, mas para isso é preciso reflexão e planejamento. O investimento não deve ser somente em “tecnologia dura” – em expansão de hospitais e grandes compras que trazem grande visibilidade midiática para os gestores.

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A emergência da Covid-19 alavancou o financiamento para a P&D global, com grande protagonismo dos governos. Porém, a análise a posteriori mostra que parte dos esforços foi desorganizada e concentrada em torno de poucas alternativas. Inúmeros pequenos estudos conduzidos de forma isolada se mostraram incapazes de gerar informação de qualidade para guiar a tomada de decisão.

Sem saber, estudantes são avaliados por um sistema de Inteligência Artificial. À distância, professores orientam atividades em salas de 300 inscritos. Em casa, na tela do computador pessoal, chegam a alguns desses professores mensagens desagradáveis, comunicando a redução de horas de trabalho ou a demissão. A pandemia só fez eclodir uma relação já desgastada entre a estrutura administrativa das instituições educacionais financiadas por acionistas, seus “colaboradores” e “clientes”.

Um a cada quatro casos de Covid-19 e SRAG suspeitos ainda não informa raça/cor, apesar de ser item obrigatório. A omissão dos dados de etnias indígenas é bem maior quando comparada a outros indicadores de raça/cor – apenas 57% dos estados e 15% das capitais brasileiras divulgam o dado. As informações são de relatório especial da Open Knowledge Brasil (OKBR), publicado nesta terça (22).

“Devemos ser estupidamente honestos neste momento”, aconselhou a pesquisadora do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do Departamento de Microbiologia do ICB-USP e PhD em microbiologia, Natalia Pasternak. Isso porque as promessas sobre uma vacina para o novo coronavírus com data marcada podem ser vazias diante do que se tem de concreto a respeito dos testes em andamento.

O tempo da Ciência não é o tempo dos políticos. E o da vacina contra o coronavírus não é o da propaganda de cura. Os especialistas têm alertado para o fato de que uma vacina depende de rigorosos testes, é demorada e o processo tem de ser monitorado com atenção. No mesmo dia em que os testes da vacina de Oxford foi suspenso por causa de complicações em um dos voluntários, o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, enfatizava uma data para a liberação dela.

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Passados sete meses, a onda de desinformação se espalhou tão rápido quanto o vírus SARS Cov-2. Pior, essa “desinfodemia” tem ajudado a fomentar falsas ideias e acirrar o pensamento anticientífico. Teorias da conspiração transitam pelos campos político, econômico e social, todas a partir de argumentos sem base ou sustentados em dados distorcidos, mal interpretados ou mesmo inventados.