Sou jornalista

Ainda estudante na Universidade Federal de Santa Catarina, fiz parte de um projeto que propôs a cobertura radiofônica de jogos de futebol, especialmente em Florianópolis. Nascia ali o gosto pelo jornalismo esportivo. A experiência abriu espaço para pequenas participações no rádio da Capital.

Projeto de cobertura esportiva em rádio na UFSC

Aos 20 anos, eu editava as páginas de esporte do extinto jornal O Estado. Cedo demais. As funções de editor me tiraram da rua, onde jornalistas efetivamente aprendem, durante um bom tempo. Não significa que não tenha valido. Coordenar equipes e coberturas foi um aprendizado e tanto.

O Estado vivia, à época, uma transição turbulenta. Estamos falando da década de 80, quando o Grupo RBS criou o Diário Catarinense, com sede em Florianópolis. Grande parte dos jornalistas experientes passou a integrar o projeto do concorrente, mais moderno em tecnologia e mais ágil em circulação.

No dilema do embate comercial com o Grupo RBS, O Estado talvez tenha negligenciado a tradição de mais antigo diário de Santa Catarina e cedido às perfumarias da propaganda editorial do DC, mais pautada na tecnologia do que na competência de seus bons profissionais.

Sete anos depois de diferentes funções na redação de O Estado, foi minha vez de passar pela RBS. Na TV, como “newsman. Esse é o termo registrado em carteira. Reportagem, apresentação de programas, eventuais coordenações de cobertura, produção, diferentes habilidades condensadas em uma única “função”.

Reportagem da década de 90 para o Globo Esporte

Já estamos nos anos 90 e o jornalismo catarinense começa a consolidar sua jornada para a concentração econômica, hoje característica no mercado. A TV nunca foi minha praia, mas rendeu boas experiências. Tínhamos uma excelente relação com a Rede Globo e produzíamos constantemente reportagens para veiculação nacional.

Em 95, deixar o exercício diário de jornalismo para me dedicar a um pequeno negócio foi um desafio. A Clipagem nasceu com o intuito de fornecer a clientes informações espontâneas sobre eles, divulgadas na mídia jornalística de Santa Catarina. A ideia foi dos parceiros Carlos Eduardo Lino e Carlos Vanderlei dos Santos.

Gestão de negócios, orientação de processos de monitoramento e pesquisa de ferramentas e tecnologias passaram a fazer parte de uma rotina diária de trabalho. Pequena empresa, a Clipagem cresceu rápido. Mas percebi que tinha outra vocação.

Professor

Durante 20 anos ajudei a formar boa parte dos jornalistas hoje em atividade. O contato com gente ávida por conhecimento e com colegas de profissão no ambiente acadêmico é ímpar. As experiências em aula foram diversificadas. Rádio e som, redação e edição, conceitos e teorias em jornalismo, mídia e política, estudar virou rotina.

Intercom Sul, um dos eventos realizados na universidade

O ofício de professor universitário é estimulante. Na Universidade do Sul de Santa Catarina, em Palhoça, concentrei as atividades. Mas dei aula também na Unisul em Tubarão e na Faculdade Ielusc, em Joinville. Além das aulas, orientei diversos trabalhos de conclusão, tanto técnicos quanto acadêmicos.

Um desses trabalhos rendeu aos estudantes envolvidos o prêmio nacional em comunicação e inovação no Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação em 2017. O trabalho, orientado por mim e pelos colegas professores Daniel Signorelli e Daniel Izidoro, consiste na utilização do som binaural para promover uma experiência imersiva.

Gestor

Coordenei o curso de Comunicação Social na Unisul de Palhoça por seis anos e me especializei em gestão de Instituições de Ensino Superior. Decorreram daí vários projetos. Um deles resultou na reforma curricular dos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda, além de subsidiar o Projeto Pedagógico Institucional da universidade. Passei a integrar comissões institucionais de trabalho e virei analista de projetos acadêmicos na Pró-reitoria de ensino.

Pensar formas alternativas de arquitetura curricular me levou a outros ambientes, menos afetos à estrutura acadêmica. Na Agriness, empresa de tecnologia para gestão de agronegócios, orientei a elaboração de uma escola corporativa digital.

Me desliguei da universidade no momento em que a educação começa a se consolidar como commodity. Grandes corporações estão dominando o mercado da educação, beneficiadas pelo excessivo otimismo nas tecnologias e pela falta de investimento na formação de docentes e na geração de conhecimento.

Experimentei por um curto espaço de tempo a gestão escolar no município de Palhoça, cuja formação abarca todas as etapas da educação básica. O Colégio Visão, na Pedra Branca, trouxe desafios novos num momento em que enfrentamos a fase mais aguda da pandemia de Covid-19 no país. Mas descobri que o espaço educacional, ao menos ali, está tomado por um discurso nocivo de que o bolso dos acionistas é mais importante que o próprio negócio. Resolvi, então, buscar desafios mais instigantes.

Na busca por saberes…

Tenho me focado em estudos mais específicos, com o intuito de gerar novas possibilidades de relação produtiva. Cursos de coberturas jornalísticas, jornalismo de dados, estatística e bancos de dados estão se sucedendo. Todos mais técnicos e de duração mais curta. Em andamento, também, está um MBA em Jornalismo Digital, cujo intuito é aprofundar os conhecimentos em processos de cobertura, uso de ferramentas e aplicações do jornalismo no contexto da transformação digital em curso. Aprimorar o domínio de recursos técnicos e tecnológicos para criar interfaces entre a atuação no campo da comunicação e a formação em jornalismo, docência e gestão faz parte do processo que inicio.

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Gosto da ideia de ampliar horizontes. Uma das razões para ter deixado a vida acadêmica, o que pode ser temporário, é o fato de que não há muito espaço para experiências que modifiquem as estruturas consolidadas e o ambiente, muitas vezes frio, na relação ensino-aprendizagem. O jornalismo, seja no exercício profissional ou nas reflexões sobre a atividade, permite uma certa dose de criatividade para explorar possibilidades. Os estudos atuais estão focados em três especialidades recentes e que têm merecido atenção: o jornalismo de soluções, o de dados e o de marca.

… e oportunidades

A motivação para buscar alternativas nas três especialidades tem sentido na trajetória que percorri até aqui: a atuação como jornalista, como professor de jornalismo e como gestor educacional. Esse percurso permitiu reflexões interessantes e experiências bastante ricas quanto ao futuro da atividade profissional, composição de currículos e implantação de projetos educativos.

Parte dos debates que promovemos – eu e colegas com os mesmos sonhos – na universidade diz respeito à forma como o conhecimento é organizado e a falta de oportunidades que as áreas divididas em disciplinas oferecem a estudantes que gostariam de buscar trajetórias distintas. O trabalho rendeu boas discussões e sustentou diversas produções.

  • O trabalho Certificação Processual em Comunicação foi elaborado durante as as reuniões de planejamento com os docentes dos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda por dois anos e constitui o TCC da especialização em Gestão Estratégica de Instituições de Ensino Superior.

Parto agora para a construção de uma proposta que envolve contar histórias a partir de soluções e análise de dados. O projeto e-Com.Textos envolve narrativas que visam desde a produção de reportagens sobre problemas sociais crônicos à aproximação de marcas e públicos, o que situa a proposta no campo do Jornalismo e também do Marketing, dependendo da ênfase a ser dada à narrativa. O projeto está em fase de elaboração e prototipagem.

Minha carreira tem sido um constante laboratório. Um rizoma de atalhos e aprendizados abertos ao devir.

O EntreMeios Online é resultado, ainda incipiente, dessas escolhas e se propõe a gerar portfólio para futuras relações produtivas. Produções jornalísticas, projetos de formação em educação formal e informal, e ferramentas de comunicação em apoio à gestão estão no escopo.

Última atualização feita há 12 meses por luciano.bitencourt. As atualizações referem-se a pequenas correções que vão de erros de grafia a alterações pontuais na estrutura de frases para facilitar a leitura. Não são “erratas”. Estas, quando acontecem, são explicitamente indicadas no conteúdo.

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