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Ao abrir consulta pública para “informar e conhecer as dúvidas” das famílias sobre a vacinação contra Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos, o governo brasileiro segue a estratégia de minar as evidências científicas para se evitar a expansão da variante Ômicron. Não há como se ter dúvidas quanto à eficácia das vacinas, a não ser que se desconsidere o volume de investimentos e o esforço em pesquisa sem precedentes na história humana.

A negligência na distribuição de vacina em regiões mais pobres é apontada como causa para o surgimento de novas variantes de Covid-19. A Ômicron ganhou notoriedade mundial pela preocupação com seus efeitos na pandemia, mas é preciso reconhecer que ela é fruto do descaso político com a imunização igualitária para se evitar novas mutações do coronavírus.

O Brasil não é exemplo na cobertura vacinal contra a Covid-19 e ainda não pode se dar ao luxo de voltar à vida sem o uso de medidas restritivas. Muito já se avançou no tratamento da doença e hoje o grau de conhecimento sobre o vírus justifica decisões que exigem cuidado. Principalmente com crenças sem fundamento e demonstrações de ignorância de líderes políticos e chefes de estado.

Observar certos padrões no comportamento diante da pandemia, neste momento, indica tendência de continuidade na polarização política pela negação da Ciência e dos fatos, além de uma perspectiva de piora no quadro de controle mundial de novos surtos. A desigualdade econômica e o viés político-ideológico ainda determinam o cenário.

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Quando pais e familiares posicionam-se diante da direção da escola como quem pensa a educação pelo consumo para relativizar medidas de saúde pública, o problema não está na instituição de ensino que obedece as medidas sanitárias para manter suas atividades. O sintoma é mais grave. A sociedade está dando um sinal de que, por mais cuidados que se tome no ambiente escolar, os riscos potenciais estão do lado de fora.

Há oito dias, a média móvel de casos diários de Covid-19 em Santa Catarina é superior a dois mil, de acordo com os dados da Secretaria de Saúde. São necessários, no entanto, certos cuidados ao se verificar as informações disponíveis sobre os casos e muitas variáveis a se considerar. Boas referências deixam evidentes quais estão sendo usadas.