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Universidade “útil” e “para poucos” expressa a ineficiência de gestão e o desmonte do sistema público na Educação. Enquanto estados e municípios buscam seus próprios recursos para superar o déficit de aprendizagem causado pela pandemia, as universidades públicas, líderes na inovação tecnológica, lutam contra a negligência do governo.

Os avanços para alcançar populações excluídas trataram de permitir o acesso, sem a promoção efetiva e equitativa da qualidade nos processos de aprendizagem na educação básica. Crianças e jovens espalhados pelas periferias do cenário da educação brasileira estão distantes de reconhecer possibilidades quanto ao próprio futuro porque a escola não vai até eles.

. Afficere – influir sobre algo, fazer algo a alguém -, berço do affectus, faz do carinho, da demonstração de apreço um gesto amplo e coletivo, de incentivo, de estímulo. É no gesto social, mesmo com distanciamento físico, que a Educação se fortalece. A inovação dos processos educativos está no afeto, não na tecnologia que o instrumentaliza.

pile of covered books

O novo normal pós-pandêmico na educação tende a ser híbrido e ainda mais digital; tende a ser robotizado e ainda mais autônomo na condução da aprendizagem; tende a ser exponencialmente escalável e capilarizado; tende a oferecer “mais por menos”, com a promessa de que os novos mestres nunca dormem. O híbrido nesse novo normal tende a ser um simbionte.

frame, back to school, school

Quando pais e familiares posicionam-se diante da direção da escola como quem pensa a educação pelo consumo para relativizar medidas de saúde pública, o problema não está na instituição de ensino que obedece as medidas sanitárias para manter suas atividades. O sintoma é mais grave. A sociedade está dando um sinal de que, por mais cuidados que se tome no ambiente escolar, os riscos potenciais estão do lado de fora.

Uma ideologia capaz de justificar a disrupção pelas entranhas da gestão, da gerência, da administração, do mercado da Educação parece urgente. Outra economia educacional está nos espaços vazios dos mapas cartográficos que expressam as tecnologias digitais em oferta. Que a Ciência da Educação explore as possibilidades e qualifique os ditames imperiais do “ensino híbrido”.

Sem saber, estudantes são avaliados por um sistema de Inteligência Artificial. À distância, professores orientam atividades em salas de 300 inscritos. Em casa, na tela do computador pessoal, chegam a alguns desses professores mensagens desagradáveis, comunicando a redução de horas de trabalho ou a demissão. A pandemia só fez eclodir uma relação já desgastada entre a estrutura administrativa das instituições educacionais financiadas por acionistas, seus “colaboradores” e “clientes”.

man in black and white polo shirt beside writing board

Negligente, o Governo Federal protagoniza o desmonte do setor público na educação ao tratar o orçamento com desdém. Mais do que o discurso ideológico e militante de seus ministros, desde o início da gestão Bolsonaro, o que preocupa mesmo são as prioridades em uma área que deveria ser valorizada com a aplicação de recursos em políticas públicas para vencer as desigualdades.

Tratar a lei emergencial para a Educação no âmbito meramente técnico é um prenúncio de que o sistema educacional público vai, paulatinamente, sofrer com a falta de políticas para universalizar o acesso e priorizar um projeto de desenvolvimento humano e cultural para o país. Como na Saúde, o governo federal tem tratado os dilemas educacionais negando sua importância para a economia e a geopolítica.