eleições

Fake News são a ponta do iceberg no intrincado ecossistema de desinformação. Campanhas baseadas em conteúdos fabricados para enganar têm estrutura profissional especializada e são financiadas, inclusive, pelas empresas que sustentam as plataformas de mídia social. A invasão da Praça dos Três Poderes, em Brasília, é a materialização desse jogo, onde a extrema-direita mantém o discurso contra a democracia em nome da livre manifestação.

Notícia não é mais encarada como o elo entre conhecimento social e opinião pública. Virou mais um discurso vazio na pulverizada rede digital de crenças ideológicas. Faltam sinalizações na encruzilhada, aquele momento em que os argumentos nos dão um sentido de direção, nos impulsionam em um determinado caminho. Falta o jornalismo no debate público, o que nos aproxima das diferenças sem julgamentos morais.

Cinco partidos abocanharam 57% das prefeituras no país. O dado é significativo, visto que todos estão no espectro chamado centro-direita e ao menos dois deles apoiam declaradamente o atual presidente da República, Jair Bolsonaro. Isso diz muito sobre o cenário político atual, mas diz quase nada sobre as eleições majoritárias em 2022.

Trump é um boçal, Biden um neoliberal enrustido. As eleições nos Estados Unidos são uma encruzilhada em que o diabo espera por uma alma disposta a vender seu futuro. Nos níveis municipais de gestão, as soluções são muito mais plausíveis e próximas dos eleitores. Desde que haja ambiente para o envolvimento popular nas decisões do poder público, a democracia pode sair fortalecida para as próximas eleições majoritárias em 2022.