Saúde pública

O Brasil não é exemplo na cobertura vacinal contra a Covid-19 e ainda não pode se dar ao luxo de voltar à vida sem o uso de medidas restritivas. Muito já se avançou no tratamento da doença e hoje o grau de conhecimento sobre o vírus justifica decisões que exigem cuidado. Principalmente com crenças sem fundamento e demonstrações de ignorância de líderes políticos e chefes de estado.

Observar certos padrões no comportamento diante da pandemia, neste momento, indica tendência de continuidade na polarização política pela negação da Ciência e dos fatos, além de uma perspectiva de piora no quadro de controle mundial de novos surtos. A desigualdade econômica e o viés político-ideológico ainda determinam o cenário.

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Quando pais e familiares posicionam-se diante da direção da escola como quem pensa a educação pelo consumo para relativizar medidas de saúde pública, o problema não está na instituição de ensino que obedece as medidas sanitárias para manter suas atividades. O sintoma é mais grave. A sociedade está dando um sinal de que, por mais cuidados que se tome no ambiente escolar, os riscos potenciais estão do lado de fora.

Enquanto o Centro de Operações de Emergência em Saúde anunciava o nível de risco gravíssimo em 15 das 16 Regiões de Saúde e o governador Carlos Moisés decretava medidas mais drásticas para diminuir a curva de contágio, os deputados estaduais aprovavam um projeto de lei que descumpre todas as recomendações sanitárias feitas por especialistas.

A terceira etapa do estudo A Pandemia de Covid-19 e os profissionais de saúde pública no Brasil revela que, passados oito meses de convívio com o novo coronavírus, o enfrentamento da doença ainda é precário. Enquanto isso, a suspensão dos testes da CoronaVac pela Anvisa politiza ainda mais a crise sanitária e expõe a falta de sensibilidade do governo.

Um ponto crucial dos acordos de transferência de tecnologia para a produção de vacinas no Brasil ao longo das últimas quatro décadas é o de que a produção desses acordos é condicionada a compras públicas. Porém o acordo do Sinovac/Butantan não contempla tal arranjo, uma vez que não há acordo prévio com o Ministério da Saúde para inclusão desse produto no catálogo de vacinas do SUS.

A expansão do SUS como resposta à pandemia de coronavírus pode ajudar a reparar algumas falhas históricas do atendimento, mas para isso é preciso reflexão e planejamento. O investimento não deve ser somente em “tecnologia dura” – em expansão de hospitais e grandes compras que trazem grande visibilidade midiática para os gestores.